quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A importância da oração do rosário em família

É fundamental que a família cristã reze o rosário todos os dias
Segundo uma tradição, São Domingos de Gusmão, espanhol, recebeu de Nossa Senhora a devoção do santo rosário, que ele rezava continuamente em suas caminhadas pela conversão dos hereges cátaros que agitavam a vida da Igreja na França.
Em suas aparições, em Fátima e Lourdes, Nossa Senhora pediu insistentemente aos videntes para que rezassem o terço sempre. Ela disse aos pastorinhos, em Fátima, que “não há problema de ordem pessoal, familiar, nacional e internacional, que o santo terço não possa ajudar a resolver”. Por isso, o terço e o rosário tornaram-se orações amadas pelo povo de Deus. O Papa João Paulo II disse que essa era “a sua oração predileta”; sempre o víamos rezando-a.

Oração do coração

Bento XVI o recomendou fortemente. Disse: “O rosário é oração bíblica, toda tecida da Escritura Sagrada. É a oração do coração, em que a repetição da Ave-Maria orienta o pensamento e o afeto para com Cristo, tornando-se súplica confiante na nossa Mãe”.
“O terço, quando rezado de modo autêntico, não mecânico ou superficial, mas profundo, traz paz e reconciliação. Contém em si a potência curadora do nome santíssimo de Jesus, invocado com fé e com amor no centro de cada Ave-Maria” (5 de maio de 2008 -ZENIT.org).
Na sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 2005, São João Paulo II disse: “Uma oração tão fácil e, ao mesmo tempo, tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã”.
Muitos Papas recomendaram o rosário: Leão XIII, em 1883, na Encíclica Supremi apostolatus officio, apresentou-o como “um instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade”. São Pio V, em 1571, estabeleceu a invocação a Nossa Senhora do Rosário, como agradecimento à Virgem pela vitória da cristandade, na batalha de Lepanto, contra os turcos otomanos muçulmanos que pretendiam destruir o Cristianismo na Europa.

Família que reza unida permanece unida

Além dos inúmeros Papas, também muitos santos se destacaram pelo amor ao rosário: São Luís Maria Grignion de Montfort, Santo Afonso de Ligório, São Pio de Pietrelcina e muitos outros. Essa devoção tem como base o fato de que, do alto da cruz, Jesus Cristo, num ato de amor, nos deu Maria como Mãe (cf. Jo 19,26). Se Jesus no-la deu como Mãe, é porque precisamos dela para nossa vida e salvação. Então, cada cristão e cada família cristã precisa da proteção materna de Nossa Senhora para enfrentar a luta da vida, as tentações, provações etc. A Igreja sempre ensinou que “família que reza unida permanece unida”, sobretudo quando reza o terço.
Na oração do santo rosário, a Virgem Maria nos ensina e nos anima na vida de Cristo, partilhando conosco aquelas coisas que “ela guardava no seu coração” (cf. Lc 2,52). “É uma oração contemplativa, não pode ser apenas uma repetição mecânica de fórmulas”, disse o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Marialis cultus.
Lembro-me, com saudade, de que minha mãe, todos os dias, reunia seus nove filhos, às 18h em ponto, para rezar o terço. Era algo que não falhava. Hoje, vejo todos os meus irmãos na Igreja, todos casados, nenhum separado. Não me lembro de um dia de desespero em nosso lar, embora tivéssemos todos os problemas que toda família tem. O santo terço diário foi sempre a nossa força, o nosso consolo. Nunca o deixei de rezar, mesmo nos meus tempos de cadete do Exército, durante três anos na Academia Militar.
Sobretudo hoje, em que se multiplicam os problemas e os pecados, a ofensa a Deus, e os filhos estão muito mais sujeitos aos maus exemplos, é fundamental que a família cristã reze, todos os dias, o santo terço para se colocar debaixo da poderosa intercessão de Nossa Senhora. Então, terão paz, mesmo neste mundo tão conturbado.

Autor: Felipe Aquino

Devoção à Maria Santíssima

O coração da nossa Mãe
Uma das mais doces verdades da nossa fé é o mistério da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma aos céus. A cheia de graça, a que nunca pecou, não podia ficar sujeita à corrupção da morte, estabelecida por Deus como castigo do pecado. Por isso, a Igreja definiu solenemente – expressando uma verdade que, desde tempos antiqüíssimos, era patrimônio da fé do povo cristão – que “a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, completado o curso da sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória do Céu” (Pio XII, Const. Ap. Munificentissimus Deus, de 01.11.1950).
Eis a consoladora verdade: a nossa Mãe Santa Maria, na glória do Céu, está agora junto da Trindade Santíssima em corpo e alma. Compreendemos bem o que isto significa? Quer dizer que Maria vive no Céu a cuidar de nós, a olhar-nos, a interceder por nós, com o mesmo coração, com os mesmos sentimentos e com os mesmos afetos que tinha na terra. Não é um puro espírito. É uma Mãe humana, glorificada, mas plenamente humana. Agora, junto de Deus, Ela contempla – na luz da glória divina – todos e cada um dos seus filhos, em todos e cada um dos momentos da sua existência, e olha por eles: nas horas de alegria e de dor, nos transes difíceis, nos tempos de solidão, na suas quedas e nos seus reerguimentos… Não há um passo da nossa vida, não há um latejar do nosso coração, que não esteja sendo acompanhado amorosamente pelo Coração humano da nossa Mãe. E não há um passo que não esteja sendo assumido – visto e sentido como algo próprio – por esse Coração.
Contemplando este mistério delicado, São Josemaria Escrivá aponta-nos uma das suas conseqüências: “Surge assim em nós, de forma espontânea e natural, o desejo de procurarmos a intimidade com a Mãe de Deus, que é também a nossa Mãe; de convivermos com Ela como se convive com uma pessoa viva, já que sobre Ela não triunfou a morte, antes está em corpo e alma junto de Deus Pai, junto de seu Filho, junto do Espírito Santo” (É Cristo que passa, n. 142). É nesse clima de intimidade filial que discorre a devoção a Nossa Senhora.
A Devoção a Maria Santíssima
O nosso relacionamento, a nossa intimidade com Maria é essencialmente filial. O vínculo filiação-maternidade “determina sempre – como lembra a Encíclica Redemptoris Mater – uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: da mãe com o filho e do filho com a mãe” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Mater, n. 45). E a medula desse vínculo, evidentemente, é o amor.
Por isso, só perguntando-nos pelas características que tornam autêntico esse amor é que descobriremos os traços da verdadeira devoção a Maria Santíssima. Com isso, perceberemos também melhor o que Deus quis que representasse para nós o imenso dom que nos fez, dando-nos Maria como Mãe.
Comecemos pelos aspectos dessa devoção que se nos impõem de maneira mais imediata. Um cristão que vive de fé sabe que Maria o ama e o auxilia com carinho de Mãe. Sabe-a voltada maternalmente para ele. É natural que, dessa certeza, flua espontaneamente uma sincera afeição filial. “Nada convida tanto ao amor – comenta São Tomás – como a consciência de sentir-se amado”(Cf. São Tomás de Aquino, Summa contra gentes, IV, XXIII). A devoção mariana manifesta-se, por isso, em mil expressões, delicadas e fervorosas, de carinho de filho: no tom afetuoso da oração que dirigimos a Ela, na alegria de visitá-la nos lugares onde se quis fazer especialmente presente, nos muitos pormenores íntimos do coração, que o pudor vedaria externar.
Juntamente com esse afeto filial, e impregnando-o intimamente, brota também espontaneamente um sentimento de profunda confiança. “Nunca se ouviu dizer – reza uma bela oração atribuída a São Bernardo – que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.
Esta certeira confiança dos fiéis exprimiu-se num leque multicolorido de invocações marianas, que traduzem a segura experiência do coração cristão: Mãe de misericórdia, Virgem poderosa, Auxílio dos cristãos, Consoladora dos aflitos, Onipotência suplicante… Era essa a confiança que fazia Dante escrever estes preciosos versos: Donna, se’ tanto grande e tanto vali, / che qual vuol grazia e a te non ricorre, / sua disianza vuol volar sanz’ali; “Senhora, és tão grande e tanto podes, que para quem quer graça e a ti não recorre, o seu desejo quer voar sem asas” (Divina Comédia, Par. XXXIII, 13-15).
Amor e confiança. Trata-se de sentimentos com fortes raízes no coração. Ora é bem sabido que os afetos do coração possuem muitas vezes uma sutil ambivalência: são sentimentos que a custo se equilibram na difícil passarela onde o amor beira sempre o egoísmo. Não é raro que os muito sentimentais sejam também muito egoístas.
Por isso, se a devoção a Maria não estivesse fundamentada nos alicerces da fé – da doutrina – e da caridade, poderia deslizar imperceptivelmente para os declives do egoísmo. Tal coisa aconteceria no caso de uma devoção meramente sentimental – não animada por desejos de entrega e de amor operante – que, embora cheia de efusões de ternura, não incidisse fortemente na vida para modificá-la. Mais facilmente ainda se daria essa deturpação se a devoção mariana se reduzisse a um simples recurso para alcançar uma “proteção” ou uns “favores” meramente interesseiros.
Esses desvios, contudo, não se darão se o nosso amor filial a Maria entrar, como deve, em sintonia com o seu amor maternal.
Pensemos que o coração da nossa Mãe, “cheia de graça”, é uma fornalha ardente de caridade, de amor a Deus e aos homens. Nele se encontra, em medida quase infinita, a caridade derramada pelo Espírito Santo (Cf. Rom 5, 5).
Isto significa que quem se aproximar dEla com um coração reto e sincero se sentirá necessariamente impelido para o amor a Deus e ao próximo. Este é o segredo divino da devoção a Maria. Foi de fato para nos facilitar a entrega a esse duplo amor – o mandamento que resume todos os outros – que Deus, em sua misericórdia, quis dar-nos Maria como Mãe.
É por isso que a devoção a Maria, bem vivida, é sempre como um sopro – fecundo, cálido e suave – que acende o amor na alma, inflama a generosidade e move a abraçar sem reservas a vontade de Deus.
“Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus”, diz São Josemaria, fazendo-se eco da tradição cristã (É Cristo que passa, n. 144). No fundo de tudo o que a Virgem Santíssima sugere ao coração dos homens, sempre pulsam as suas palavras em Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. A verdadeira devoção é, por isso, radicalmente “cristocêntrica” – conduz a Cristo –, é “teocêntrica” –leva para Deus. Nossa Senhora vive e faz viver em função de Jesus. Não pode haver aí nem sombra de “idolatria”.
Ao mesmo tempo, é claro que, se Maria nos leva a Jesus, indefectivelmente nos aproxima também dos nossos irmãos, que são irmãos de seu Filho e filhos dEla. Ela é a Mãe comum que nos faz sentir fraternalmente vinculados em Cristo, membros da família de Deus (Cf. Ef 2, 19), e nos desperta na alma ânsias de doação e de serviço aos outros. O Coração de Maria infunde calor e força ao amor dos irmãos.
Como vemos, se a Virgem Santíssima nos auxilia – e esta é a sua missão maternal –, é única e exclusivamente para nos colocar mais plenamente em face das exigências da nossa vocação cristã. É com este fim que Ela intercede por nós junto de Deus e distribui as graças que o Senhor colocou em suas mãos. Mesmo os favores maternos que Ela nos obtém em pequenas coisas – como em Caná – são incentivos de carinho que nos ajudam a agradecer e a retribuir a Deus as suas bondades. Em qualquer caso, Ela estende a sua mão para nos elevar – suave e fortemente – até à meta da nossa vocação cristã, que é a santidade.
Com razão se pode afirmar, por isso, que o amor de Maria por seus filhos é simultaneamente doce e exigente. “Nossa Senhora, sem deixar de se comportar como Mãe, sabe colocar os seus filhos em face de suas precisas responsabilidades. Aos que dEla se aproximam e contemplam a sua vida, Maria faz sempre o imenso favor de os levar até a Cruz, de os colocar bem diante do exemplo do Filho de Deus. E nesse confronto em que se decide a vida cristã, Maria intercede para que a nossa conduta culmine com uma reconciliação do irmão menor – tu e eu – com o Filho primogênito do Pai” (São Josemaría Escrivá, ib., pág. 195).
A Jesus “se vai” por Maria, e a Jesus “se volta” por Ela, diz Caminho (n. 495). Quando, ao rezar a Ave-Maria, nós lhe pedimos “rogai por nós, pecadores”, fazemo-lo com a consciência de que demasiadas vezes nos afastamos de Deus e, como o filho pródigo, precisamos voltar para a casa do Pai.
Maria torna suave, também, e esperançado esse retorno. Não é verdade que, perto da Mãe, nos tornamos a sentir crianças? Despojamo-nos da nossa triste armadura de adultos, forjada pelo orgulho, pela vergonha ou pela decepção. E então o fardo das nossas misérias já não nos esmaga. Com Maria, sentimo-nos crianças reanimadas pela ternura da Mãe, alegres por descobrir que, para um filho pequeno, sempre é possível levantar-se, sempre é possível recomeçar, sempre é hora de esperar. Ela é a porta perpetuamente aberta na Casa do Pai.
A Estrela da manhã, a Estrela do mar, a nossa Mãe, guia-nos por toda a estrada da vida, passo a passo, na bonança e na tormenta, nos avanços e nas quedas, até alcançarmos o repouso definitivo no coração do Pai. Nunca percamos de vista que “foi Deus quem nos deu Maria: não temos o direito de rejeitá-la, antes pelo contrário, devemos recorrer a Ela com amor e com alegria de filhos” (São Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, n. 142).
Intensifiquemos o empenho de amor e os pormenores de delicadeza para com a nossa Mãe nas festas e tempos que a Igreja dedica especialmente a Ela: mês de maio, Solenidade da Assunção de Maria, Novena da Imaculada Conceição, etc. Renovemos, com forte vitalidade, essas devoções – sempre unidas à recitação amorosa do Rosário – que, por Maria, nos levarão bem dentro do Coração de seu Filho Jesus.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Novena da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria

Oração para todos os dias

Meu Deus vinde em meu auxílio!

Senhor apressai-Vos em me socorrer.


Ó Maria, lírio imaculado de pureza, eu me congratulo convosco, porque desde o primeiro instante da Vossa Conceição fostes cheia de graça e, além disso, vos foi conferido o perfeito uso da razão. Dou graças e adoro a Santíssima Trindade que Vos concedeu tão sublimes dons; e me confundo totalmente na Vossa presença ao ver-me tão pobre de graças; Vós que de graças celestes fostes tão copiosamente enriquecida reparti com a minha alma e fazei-me participante dos tesouros que começastes a possuir em Vossa Imaculada Conceição.

Virgem Puríssima, concebida sem pecado e desde aquele primeiro instante toda bela e sem mancha. Gloriosa Maria, cheia de graça, Mãe de Deus, Rainha dos Anjos e dos homens. Saúdo-vos humildemente como Mãe do meu Salvador que, com aquela estima, respeito e submissão com que vos tratava, ensinou-me quais sejam as honras e a veneração que devo prestar-vos. Dignai-vos, eu vo-lo rogo:

(Faça o seu pedido)

Vós sois o seguro asilo dos pecadores penitentes e assim tenho razão para recorrer a Vós. Sois Mãe de misericórdia e por este título não podeis deixar de enternecer-Vos à vista das minhas misérias. Sois, depois de Jesus Cristo, toda a minha esperança, e por esta razão não podeis deixar de reconhecer a terna confiança que tenho em Vós. Fazei-me digno de chamar-me Vosso filho para que possa confiadamente dizer-Vos: mostrai que sois minha Mãe!

Amém!
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo,
Para sempre seja Louvado.

domingo, 1 de novembro de 2015

A presença da Santíssima Virgem junto à Igreja de Jesus

A presença da Santíssima Virgem junto à Igreja de Jesus, desde a sua formação, é fato incontestável. Em defesa da igreja que se formava, protegendo a fé incipiente dos primeiros cristãos, as manifestações da Santíssima Virgem atestam a preocupação e o cuidado com que a Mãe da Igreja sempre zelou por seus filhos.
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O que pode ser considerada a primeira aparição da Virgem Maria na História, no sentido próprio do termo, trata-se, na verdade, de uma bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo), em razão de Nossa Senhora ainda estar vivendo na terra. O fato ocorreu na Espanha.
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A conversão daquele país ao catolicismo foi bem mais difícil do que se imagina. São Tiago foi, então, incumbido de ir pregar o santo Evangelho às províncias da Espanha, e, antes de partir, foi pedir a licença e a bênção de Maria Santíssima, como fizeram também os outros apóstolos, comovidos por ter de se separar da santa Mãe de seu divino Mestre. A Virgem Santíssima, tendo abençoado o apóstolo, assim lhe falou: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre, e por ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à fé, edifiques uma igreja em minha memória, conforme o que eu te manifestar.” O apóstolo São Tiago seguiu, pois, para a Espanha e, depois de ter pregado em alguns outros lugares, chegou a Zaragoza, à margem do rio Ebro. Tendo pregado durante muitos dias nessa cidade, converteu oito varões, com os quais se retirava à noite para a margem do rio, onde oravam e descansavam longe das agitações dos pagãos. Certa noite, enquanto o apóstolo descansava com seus fiéis discípulos, ouviu, de repente, umas vozes angélicas que cantavam: “Ave Maria, gratia plena!” Pondo-se imediatamente de joelhos, viu a Santíssima Virgem entre um coro de anjos, sentada num pilar de mármore. O coro angelical acabou o ofício de matinas com o versículo ‘Benedicamus Domino’. Acabado o ato, Maria Santíssima chamou a si o santo apóstolo e, com muito carinho, lhe disse: “Eis aqui, meu filho, o lugar assinalado e destinado à minha honra, no qual, por teu cuidado e em minha memória, quero que seja edificada uma igreja. Conserva este pilar onde estou sentada, porque meu Filho e teu Mestre enviou-o do céu pela mão dos anjos. Junto a ele assentarás o altar da capela, e nele obrará a virtude do Altíssimo os portentos e maravilhas de minha intercessão para com aqueles que, em suas necessidades, implorarem o meu patrocínio. E este pilar permanecerá aqui até o fim do mundo, e nunca faltarão nesta cidade verdadeiros cristãos que honrem o nome de Jesus Cristo, meu Filho”. Subitamente, aquele exército de anjos, tomando a Rainha dos céus, levou-a para a cidade de Jerusalém, repondo-a em sua cela.
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Depois desse miraculoso fato, a Virgem Maria ainda viveu onze anos. São Tiago, depois de louvar a Jesus e sua Mãe Santíssima, cheio de contentamento começou logo a edificar uma igreja naquele lugar, ajudado pelos oito discípulos, colocando o referido pilar na parte superior do altar e voltado para o Ebro.
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Muito consolado, o Apóstolo continuou seu árduo trabalho, resultando que hoje uma parte considerável da Igreja Católica reza em espanhol. E Nossa Senhora do Pilar é a Padroeira da Espanha.
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Em outra ocasião, estavam os apóstolos reunidos na cidade de Éfeso, atual costa da Turquia, mas que, nessa época, era uma cidade grega. Imploravam eles o auxílio da Santíssima Virgem nas diversas dificuldades da nascente Igreja, quando a Mãe de Deus lhes apareceu, cheia de luz, e lhes prometeu que jamais os abandonaria. Esta aparição não deixa de ter um simbolismo muito bonito, pois Nossa Senhora apareceu aos apóstolos em seu conjunto, como representação da Hierarquia da Igreja, e lhes prometeu sua permanente ajuda. Auxílio que Ela irá demonstrando constantemente ao longo da História.
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Na seguinte aparição, ocorrida no século III, Nossa Senhora e São João Evangelista apresentam-se a São Gregório Taumaturgo.
São Gregório, o Taumaturgo, tinha sido nomeado Bispo de Neocesaréia, cidade localizada na atual Turquia. Mas, segundo a biografia, escrita por São Gregório de Nissa, “ele não queria iniciar a pregação antes que a verdade lhe tivesse sido revelada por alguma aparição. Havia aqueles que falsificavam o ensino piedoso com argumentos rebuscados, e assim tomavam a verdade duvidosa. Ora, durante a noite, quando ele repousava em santos pensamentos, um venerável ancião lhe apareceu, revestido de ornamentos sacerdotais. Surpreso, Gregório levanta-se e pergunta-lhe quem é ele e por que apareceu. O ancião tranqüiliza seus temores com uma doce voz. Anuncia que vem, por ordem de Deus, esclarecer suas dificuldades (teológicas) e revelar-lhe a verdadeira Fé. Gregório cobra coragem com estas palavras e olha o ancião com uma alegria mesclada de estupefação. A aparição estende a mão e convida a olhar para um lado. Então Gregório percebe outra aparição: uma mulher, com um aspecto superior a tudo quanto é humano. De novo a emoção o domina, abaixa sua fronte e não ousa fixar esta luz tão forte para seus olhos (...), Mas ele escutava as duas pessoas que apareceram conversando sobre assuntos teológicos que o preocupavam. Assim, ele não apenas aprendeu a doutrina da Fé, mas descobriu quem eram os personagens da visão pelos nomes que eles se davam um ao outro. Com efeito, conta ele que ouviu a mulher convidar São João Evangelista a manifestar ao jovem bispo os mistérios da verdadeira Fé. Por sua vez, este respondia que o faria com gosto, para agradar a Mãe do Senhor e seguir seus desejos. Então (aquele apóstolo) pronunciou um discurso sóbrio, e desfez-se a aparição.Imediatamente, Gregório colocou no papel esta doutrina celeste, e foi de acordo com ela que ele pregou logo mais em sua igreja. Ele legou-a a seus sucessores como uma herança vinda de Deus, e o povo, ensinado segundo tal doutrina, tem permanecido sempre puro de toda maldade herética. Eis aqui as palavras reveladas do Símbolo (dos Apóstolos, ou seja, o Credo): Eu creio num só Deus (...). Se alguém quer se assegurar da verdade deste símbolo, que consulte a igreja na qual o Taumaturgo pregava esta doutrina. Em seus arquivos, conserva-se ainda hoje o manuscrito feito por esta bem-aventurada mão: verdadeiras tábuas escritas por Deus e comparáveis, pela grandeza de sua graça, às tábuas da Lei, nas quais foi antigamente gravada a lei divina.”(*)
(*) Le ciel sur la Terre, les apparitions de la Vierge au Moyen age, Sylvie Barnay, Ed. Lês Editions du Cerf, Milano, 1999, pg.16-18.
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O Dia da Proteção da Mãe de Cristo foi fixado como lembrança da visão que Santo André teve da Virgem Maria, cobrindo com o seu véu os cristãos no templo na cidade de Blachernae durante o ataque pelos inimigos a Constantinopla no século X. Às 4 horas da manhã, Santo André viu uma impressionante e majestosa imagem da Virgem Maria, caminhando a partir do altar no templo, apoiada por São João Baptista e pelo apóstolo João com inúmeros outros Santos caminhando à sua frente e outros tantos seguindo-a e cantando diversos hinos. Santo André aproximou-se de seu assistente Epifânio e perguntou-lhe se ele também estava a ver a Mãe de Cristo. "Vejo" - respondeu Epifânio. Enquanto eles olhavam-na, ajoelhando-se no centro da igreja, rezou durante longo tempo, derramando muitas lágrimas. Depois Ela aproximou-se do altar e rezou pelos cristãos. No fim das Suas orações, Ela tirou de sua cabeça o véu que a cobria, abriu-o e estendeu-o sobre todos os presentes. A cidade foi salva. Santo André era de origem eslava e o povo russo tem uma grande consideração por este feriado santo - o dia da Proteção da Virgem, em homenagem ao qual foram construídas muitas novas igrejas.
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Para defender a Igreja, Nossa Senhora aparece aos bispos, sucessores dos Apóstolos, em cumprimento de sua promessa de que jamais os abandonaria. Assim, estão registradas duas aparições a São Nicolau, Bispo de Mira. A primeira, quando ele foi nomeado bispo; a segunda, logo após o Concílio de Nicéia. São Nicolau (o famoso bispo que celebramos no Natal, pela sua admirável caridade) foi um dos grandes defensores da doutrina católica sobre a natureza divina de Nosso Senhor.
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A História registra, quarenta anos após esta, em 363, uma aparição da Virgem a São Basílio de Cesaréia, grande defensor da doutrina sobre a Trindade Divina. O imperador Juliano, o Apóstata, havia decidido destruir a igreja onde São Basílio era bispo. Prometera fazê-lo logo que voltasse da guerra contra os persas. Nossa Senhora, então, apareceu ao santo para dizer-lhe que não temesse, pois ela haveria de protegê-lo. O imperador realmente não pôs em prática o seu intento porque foi morto na guerra, apenas três anos depois da posse como imperador.
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Aproximadamente no ano 370, Ela apareceu várias vezes a São Martinho, Bispo de Tours, empenhado na formação dos futuros bispos santos que iriam mudar a França profundamente.
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Sob certo ponto de vista, o mais interessante era ver como as aparições iam sempre ao encontro das necessidades mais prementes da Igreja no momento. Assim, na época da conquista e conversão da América registram-se várias aparições da Virgem aos índios, ajudando desta forma no apostolado que realizavam os missionários para catequizá-los, batizá-los e civilizá-los. No Brasil, o primeiro caso reportado é o da índia Paraguaçu, que teria visto Nossa Senhora das Graças, na época do Descobrimento.
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No século XIX, houve várias aparições da Virgem aos santos fundadores de congregações religiosas, que tanto ajudaram na expansão mundial do catolicismo, sem contar o ciclo de aparições ligadas à difusão da devoção mariana, como a da medalha milagrosa, Lourdes etc.

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