A Oferta da Vida

segunda-feira, 17 de março de 2014

Na dinâmica divina, é mais importante servir do que ser servido. Na atualidade, numa mentalidade marcada pelo triunfalismo e pela ambição do poder, tem mais força ser servido do que propriamente servir. Os interesses pessoais e egoístas são muito mais evidentes. Sabemos que não é fácil ser servos uns dos outros.

Ser servo é ser solidário, principalmente nas dificuldades. Esta prática acontece muito entre as pessoas simples, que têm o coração e os bolsos muito mais sensíveis, com muito mais capacidade de partilha. É mais saudável, na prática da vida, dar do que receber, mesmo que isto curte sacrifício, dentro do contexto da fraternidade.

A oferta da vida é uma atitude de fidelidade à vontade divina. É consequência da justiça, que contrapõe aos planos dos dominadores. Quem assim age não faz o jogo da pressão capitalista-consumista, mas se detém naquilo que diminui as dores de quem passa necessidade. É como ofertar a vida para resgatar a justiça.

O importante é ser vitorioso diante das maldades do mundo. O egoísmo impede que a vida seja para todos, e mata. O acúmulo, sem função social, é sempre insaciável. “Quanto mais a pessoa tem, mais quer ter”. Quem age assim, não tem dificuldade de passar por cima dos princípios éticos e realiza, silenciosamente, a exploração.

O egoísmo causa disputa de poder, competições, ciúmes, inveja e quer tirar proveito das situações. Esta é a ideologia dominante, com critérios do reino do mundo, que dificulta a primazia das relações sociais, da justiça, da paz e da fraternidade. Parece até que não conseguimos descartar a busca de honras e privilégios.

Sendo ainda mais preciso, no seguimento de Jesus Cristo não existe lugar para privilégios pessoais, lugar para os qualificados como “grandes”. Há lugar, e abundante, para “servidores”, e servos de todos. Não é fácil carregar as dores e as transgressões do mundo, mas vale a pena ser capaz de lutar para que a vida seja assumida como dom de Deus e colocada sempre a serviço do bem da humanidade…

Autor: Dom Paulo Mendes Peixoto
           Arcebispo de Uberaba
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