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São José: O servo bom e fiel, a quem o Senhor confiou a sua família - Por Letícia Clímaco

Written By Comun Divinus Prov on terça-feira, 18 de março de 2014 | 19:54

José: o servo bom e fiel, a quem o Senhor confiou a sua família.

Sobre a vida de São José pouco se sabe. Até mesmo nos escritos dos padres, o santo permaneceu durante séculos e séculos em seu característico escondimento. Necessitou de tempo para que o seu culto fosse convertido do olhar, pois ele era apenas lembrado em figuras, para os átrios do coração. Embora a ausência de dados concretos, acredita-se que José nasceu em Belém, o pai se chamava Jacó e ele foi o terceiro de seis irmãos.
Com razão, São José é chamado por servo bom e fiel, afinal, Deus o elegeu guarda dos seus tesouros mais preciosos. De fato, teve como sua esposa a Imaculada Virgem Maria, que concebeu Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo. Disto procede toda a sua grandeza, graça, santidade e glória.
Foi ele que guardou com sumo amor e contínua vigilância a sua esposa e o Filho divino; que proveu o sustento da divina família com o trabalho; que os afastou do perigo a que os arriscava o ódio de um rei, levando-os a salvo para fora da pátria.  Foi de Jesus e Maria, nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio, companheiro inseparável, socorro e conforto.
É cabível lembrar que a Igreja venera a Virgem Maria e também a São José, pois foi quem sustentou Aquele que os fiéis deveriam comer como Pão da vida eterna. E quanto a esse sustento confiado por Deus a São José, pode-se dizer que aconteceu de forma simples, pela carpintaria. Jesus aprendeu o ofício de seu pai, tornou-se carpinteiro e, dessa forma, santificou o trabalho. Portanto, como nos diz o Papa Paulo VI: “São José é o modelo dos humildes; [...] é a prova de que para sermos bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas apenas virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. É tanto que Jesus quis ser chamado “o Filho do carpinteiro”. A humildade e a pobre condição de José eram virtudes que deveriam cintilar no esposo de Maria e no pai putativo de Jesus.
Este Santo Patriarca é portador de uma dignidade tão elevada que sua fé é comparada à de Maria, a quem a Igreja trata como altíssima, não havendo outra maior. No momento da Anunciação, Maria após ouvir do anjo que a Deus nada é impossível, libera de seus lábios o profundo e decidido Fiat (faça-se), que iria fazê-la chorar aos pés da cruz. José por sua vez, não duvidando da dignidade de Maria e tomado pela sua humildade que o faz considerar-se indigno de participar da família de Deus, é surpreendido em sonho pelo anjo do Senhor que o revela o seu importante papel nos planos divinos como guardião da Sagrada Família. Não pronuncia nada. Este silêncio é característica tão forte em São José que os que procuram viver a vida contemplativa se espelham nele, como é o exemplo de Santa Teresa de Ávila. Porém, é um silêncio ágil, pois, a Bíblia nos diz em Mt 1, 24 que José “fez” o que fora ordenado pelo anjo. Através do silêncio, José contemplava a singeleza da vida no seu humilde ofício; a pureza de Deus em Maria, sua amadíssima esposa; e mais adiante, a majestade de Deus no menino Jesus.
Se Isabel disse da Mãe do Redentor: “Feliz daquela que acreditou”, esta bem-aventurança pode, em certo sentido, ser referida também a José, porque, de modo comparável, ele respondeu afirmativamente à Palavra de Deus, quando esta lhe foi transmitida naquele momento decisivo. Esse ato o fez unir ainda mais à fé de Maria. E para dizer sim a Deus é necessário obediência, e, isto é de grande característica em José, pois: “pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus, prestando-lhe ‘o serviço pleno da inteligência e da vontade’ e dando voluntário assentimento à sua revelação” (Const. Dogm. Dei Verbum, n.5.)
Também é válido afirmar que essa dignidade equiparada entre Maria e José se dá através da encarnação de Jesus no seio da Sagrada Família, pois, o Verbo Divino irradia amor, e em questão lógica, é óbvio afirmar que serão beneficiados por esse amor em primeiríssimo lugar, aqueles de maior intimidade: Sua Mãe e o Seu pai putativo.
Dessa forma, José vivenciou o Amor da Verdade e o Amor Necessário, ou seja, contemplou o puro amor que irradiava de Cristo e disponibilizou-se para uma vida de serviço em torno da proteção e desenvolvimento da humanidade.
Esta unidade de José com Maria na caminhada de fé fez o Papa João XXIII, devoto de São José, fixar no Cânone romano da Missa o nome dele, ao lado do nome de Maria e antes do nome dos Apóstolos, dos Sumos Pontífices e dos Mártires.
Não podemos duvidar da dignidade de São José, pois Deus não iria incumbir uma missão tão sublime e divina a alguém desprovido das virtudes requeridas para exercer corretamente a guarda da virgindade de Maria e, em maior caso, a paternidade de Jesus.
Também é certo dizer que a José foi concedida esta graça da paternidade de Jesus para que se cumprisse a profecia de que o Salvador viria da descendência de Davi. E sendo Jesus de divina condição, a única forma para que Ele se tornasse humano e ainda da descendência de Davi, era através do matrimônio entre Maria e José. Esse “humanizar” de Cristo fica bem claro quando José, assumindo o seu dever de pai, insere o nome de “Jesus, filho de José de Nazaré” no registro do império, manifestando a sujeição de Jesus às leis e instituições civis, mas sendo também, “Redentor dos homens”. Dessa forma, São José, assim como a Virgem Maria, tem papel importante no mistério da Redenção.
Por São José nós vamos diretamente à Maria, e por Maria à fonte de toda santidade, Jesus Cristo, que consagrou as virtudes domésticas com a sua obediência aos seus pais.
Pela ocorrência de que Deus agradou-se em confiar em São José, a Igreja confia cegamente nele, sendo ele a esperança mais segura do Apostolado após a Santíssima Mãe de Deus, pois, é justo e digno do Patriarca que assim como ele guardou no seu tempo a família de Nazaré, também agora guarde e defenda com seu patrocínio a Igreja de Deus.
Pela grande fidelidade de José aos planos celestes, Deus o recompensou de forma apreciável: em seu leito de morte gozou da sublime companhia de Jesus e Maria, fato este que o fez popularmente conhecido e invocado como o Santo da Boa Morte.
Portanto, invoquemos a proteção de São José sobre as nossas vidas, sobre a Igreja, sobre as famílias, para que vivendo obedientes a Deus a exemplo de São José, consigamos alcançar a vida eterna.


Oração a São José:
A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, cheios de confiança, solicitamos o vosso patrocínio. Pelo laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre nós, que somos a herança que Jesus Cristo conquistou com seu sangue, e nos socorreis nas nossas necessidades, com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da divina família, o povo eleito de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos, do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes a vida ameaçada do Menino Jesus, defendei agora a santa Igreja de Deus das ciladas de seus inimigos e de toda a adversidade. Amparai a cada um de nós com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém.

Por Letícia Clímaco
  
Ministério Jovem e Música
Paróquia São Francisco de Assis – Nova Mamoré RO
Diocese de Guajará-Mirim













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*Fonte:  QUEMADMODUM DEUS, Decreto de S.S. o Papa Pio IX; INCLYTUM PATRIARCHAM, Carta Apostólica de S.S. o Papa Pio IX; QUAMQUAM PLURIES, Carta Encíclica de Sua Santidade o Papa Leão XIII; e BONUM SANE,
Carta Encíclica de S.S. o Papa Bento XV.



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