A Semente e o Terreno

sábado, 2 de agosto de 2014


O Evangelho é rico de mensagens que geram impactos e questionamentos sobre a nossa vida.
Jesus afirma que o Semeador saiu a semear (ver Mt 13, 3). Parece uma redundância, uma repetição de ideias. Mas, é frequente, na Bíblia usar estas formas para reforçar uma ideia, uma informação. Semear, significa comunicar algo, transmitir uma fonte de vida e de vida que vai gerar mais vida ainda. A semente, no caso, a Palavra de Deus, ou seja, Jesus e sua mensagem, tem algo bom, sempre muito bom para nos dar. Um dom perfeito. Afinal, a Palavra é Cristo doando-se, revelando-se.
O “X” da questão, portanto, é o terreno. São vários tipos. O que está à beira do caminho, o pedregoso, o que tem espinhos e a terra boa.
O primeiro (o que caiu a beira do caminho), indica a pessoa superficial, que não aprofunda nada, que vive na periferia de si mesmo. Não se põe como discípulo para compreender a vontade de Deus. Não para tendo em vista refletir, ouvir a Deus. O resultado é que o “ladrão” infernal rouba a semente. Ele não está no caminho, mas à beira do caminho. Está fora da amizade com Cristo.
O segundo, o terreno pedregoso é o que não tem raiz. Portanto, é também um fulano superficial, sem profundidade nas coisas que faz, que pensa, que busca. Vive uma mediocridade mortal, fatal. E por isso mesmo, não suporta ser provado, passar pela prova. O sofrimento e a perseguição (que deveria ser tempo de maturação, crescimento) se torna motivo de desistência. Falta longanimidade (longo ânimo) e por isso, o desânimo toma de conta.
O terceiro (o que caiu entre espinhos) é aquele tomado pelas preocupações do mundo, a ilusão das riquezas. O ter para se preencher de coisas, de seguranças acaba distraindo, iludindo, tirando da rota e fazendo o cristão perder o foco. Vive preocupado, ao invés de vier ocupado com as coisas do Pai, a exemplo de Jesus adolescente encontrado por seus pais no templo com os doutores da lei (ver Lc 2, 49).
Há enfim o que “ouve a palavra  e a compreende. Esse produz fruto” (Mt 13, 23). Claro, não se trata de uma compreensão meramente intelectual. Trata-se, ao invés, do que busca a Palavra como luz para seus olhos e lâmpada para seus passos (ver Sl 118, 105). Esse é o discípulo que se deixa interpelar pela Boa Notícia e vai, pela união com Jesus, na oração, na meditação das Escrituras, crescendo na conversão, amadurecendo no seguimento e imitação do Mestre. Esse produz fruto, isto é, produz vida, trilha um itinerário de salvação. É discípulo e se torna apóstolo, testemunha do que crê.
Ninguém pense ser um tipo de terreno. Áreas da nossa vida estão mais para um tipo de terreno que outro. Em todo caso, o segredo é limpar o terreno, adubar o terreno com o autoconhecimento, tirar as pedras do pecado com a conversão, ter a coragem de queimar os espinhos da ilusão da vida fácil e cômoda com o fogo do Espírito Santo. Cultivar a terra e acolher a graça de Deus que vem como chuva do Céu. E quando Deus não mandar chuva do Céu (as consolações espirituais, as luzes sensíveis do Céu), ir lá no poço para  regar com a meditação corajosa e perseverante as sementes da Palavra.
Ouvir, compreender, frutificar. Esses parecem ser verbos estratégicos para que a semente não deixe de cumprir o seu papel. Só lançando mão disso é que o coração não se torna insensível e a vontade não se torna má. Assim, os olhos permanecem abertos, os ouvidos do coração sempre se porão em postura de escuta e o coração atingirá a sabedoria de Deus para deixar a acontecer a abertura à graça divina.
Um desafio, uma proposta, um caminho! A semente e o terreno. Deus, sua revelação e o chão do nosso coração.
Por Padre Marcos Chagas
Fonte Comunidade Shalom
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