domingo, 23 de novembro de 2014

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O homem é a alegria de Deus



Como podemos ter certeza disso? Será que somos mesmo tão importantes para Deus? Será que a nossa existência pode mesmo afetar a alegria do Senhor?
“Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Isaías 62,5). Que verdade maravilhosa esta que o Profeta Isaías nos comunica: “somos a alegria de Deus”!
O grande Padre da Igreja Santo Irineu já havia dito, por volta do ano 160, que “o homem é a glória de Deus”. Essa criatura tão frágil e tão grande é a glória e a alegria do Todo-poderoso.
Como podemos ter certeza disso? Será que somos mesmo tão importantes para Deus? Será que a nossa existência pode mesmo afetar a alegria do Senhor? ‘Sim’ é a resposta.
Vamos meditar:
São Paulo diz na Carta aos Efésios: “Que do alto do céu o Pai nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo e nos escolheu Nele antes da criação do mundo” (Efésios 1, 3). Então, não viemos ao mundo por acaso. O Senhor “nos desejou, desde antes da criação do mundo”, e sem violentar a liberdade de nossos pais terrenos, nos deu a vida. Deus é o grande “Amigo da vida”, e se rejubila quando uma criança nasce, porque é mais uma criatura gerada à Sua imagem e semelhança, que vem a este mundo para enriquecê-lo. Lamentavelmente perdemos esta percepção.
O que mais vale no mundo é a vida, e nada tem tanto valor quanto uma criança. É por isso que a Igreja costuma dizer que o sorriso de uma criança veio do céu. Assim, entendemos por que a Igreja não quer um controle irracional da natalidade como acontece hoje, quando a maioria dos países já não conseguem repor sua população; por isso começa a diminuir os seus habitantes. É a desvalorização da vida.
Disse Daniel Rops, um dos maiores historiadores católicos do século XX, que “um povo que não quer mais se reproduzir é um povo doente”. É verdade! Se a civilização despreza o maior valor, que é a vida, se tem medo dela, então há algo de muito errado com essa civilização que já não está mais disposta a defender o que há de mais sagrado. A frase que São João Paulo II mais repetiu aos casais, no Jubileu do ano 2000, foi esta: “Não tenham medo da vida!”.
São Paulo continua a nos dizer na Carta aos Efésios: “No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade”(v. 5). Somos filhos de Deus e o somos de fato, diz também São João:
“Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (1João 3,1). Ora, qual é a grande alegria dos pais? Não são Seus filhos? Então, o profeta Isaías está certo: “Tu és a alegria do teu Deus”.
Cada um de nós, tão pequenino, toca o Coração de Deus. São Paulo ainda disse aos efésios que fomos criados “para celebrar a glória de Deus”: “Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade, “para servirmos à celebração de sua glória” (v. 11-12)”.
Era exatamente isto que Santo Irineu queria dizer ao falar que “o homem é a glória de Deus”.
A vida do homem “celebra a glória de Deus”, porque é a sua mais bela criatura visível;nada se lhe compara. A ninguém o Senhor deu inteligência, liberdade, vontade, consciência, capacidade de amar, de cantar, de sorrir e de chorar. A ninguém ele deu poder de voar nos altos dos céus, de construir as belas catedrais, de tocar o chão da lua, de perscrutar as estrelas.
O salmista já rezava admirado:
“Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo” (Salmo 8, 5- 6).
Fomos criados por amor, como filhos amados, para reinar neste mundo em nome do Criador e dar-Lhe honra e glória pelo que somos e fazemos. Não podemos viver uma vida pequena, mesquinha, desvalorizada, desprezada, simplesmente porque o Criador não nos fez para isso. Ele nos quer grandes por dentro, não por fora.
São Paulo ainda repete uma vez mais aos efésios, que Ele nos “adquiriu para o louvor da sua glória” (v. 14). A beata Elizabeth da Trindade fez dessa verdade o lema de sua vida e assim se santificou. Ela fez de cada instante de sua vida, no Carmelo, um ato de louvor a Deus.
Quando a humanidade experimentou o sabor horrendo do pecado, e em consequência, o sabor amargo da morte, Cristo se prontificou a se oferecer pelo nosso resgate das mãos cruéis do demônio. São Pedro explica como ninguém:
“Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo”. (1 Pedro 1, 18,19)
Fomos criados pelo amor e pelo poder de Deus e fomos resgatados da morte por Seu amor, porque somos filhos d’Ele. Isto é, o Senhor fez por nós o que cada um está disposto a fazer por seu próprio filho.
“Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Isaías 62,5)
Esta é a razão pela qual Jesus deseja ardentemente ser recebido em nosso coração, na comunhão sacramental ou mesmo na espiritual, muitas vezes durante o dia. Os santos experimentaram fortemente o quanto Jesus ama vir ao nosso coração. A explicação é essa: nós somos o amor da sua vida!
A prova disso é que Ele a sacrificou por nós. Ninguém morre por alguém que não ama. E o que o amado mais deseja é estar junto, em comunhão, com a sua amada. A nossa alma é esposa do Altíssimo.
Santa Teresinha do Menino Jesus disse que Jesus não desceu do Céu na Eucaristia para ficar numa âmbula de ouro, mas para viver em nosso coração. Cristo é o refúgio do coração de Jesus, é o travesseiro onde o Pai pode reclinar a cabeça. Daí a importância de comungarmos com frequência e com devoção, oferecendo ao Amado o amor da sua amada. Não se esqueça jamais: “Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Isaías 62,5).
por Prof. Felipe Aquino
Fonte Canção Nova

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